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Por Regina Machado Steurer

Saiu no Jornal D´aqui um artigo de nossa co-fundadora descrevendo, na visão de seu ponto.

Acordei hoje com a notícia de que a Escola de Arquitetura de Frank Lloyd Wright está fechando as portas. “Dia triste e sombrio para a escola, os alunos, funcionários e a comunidade de arquitetura. Fizemos todo o possível para lutar por sua sobrevivência, mas devido a outras forças, não era para ser.” A escola de Arquitetura de Taliesin (SoAT) foi referência em inovação, foi lar para 1.200 arquitetos e promovia a prática da arquitetura orgânica. Os responsáveis pelo fechamento alegam que a escola não possuía um “modelo de negócio sustentável” que permitisse manter as operações, mas que ainda pretende usar o seu lindo espaço para outros projetos na mesma linha da arquitetura orgânica.

Sou arquiteta urbanista, fundadora do Projeto Âncora, ONG de Desenvolvimento Social e Educação. Referência na área social por 15 anos e mais outros 10 na área da educação, cuja a missão é de ser um espaço de experiência, prática e multiplicação de cidadania, autonomia e responsabilidade para o mundo e para a vida.

Também temos acordado tristes nas últimas semanas, alunos, professores, funcionários e comunidade. E os dias têm sido também sombrios. Também temos feito tudo que podemos para lutar pela sobrevivência do Projeto Âncora, mas, talvez, não seja para ser. Talvez, a inovação e a transformação que pregamos nesses 25 anos tenha batido à nossa porta e cobrado de nós a coerência do que propomos aos alunos, quem sabe tenhamos que transformar a própria organização.

O Âncora não tem alguém que decida o fechamento. Decidimos todos juntos. E, nesse momento de caos (que espero criativo) em que estamos com a emoção à flor da pele, precisamos da inteligência coletiva daqueles que acreditam na causa para se juntar a nós, para nos ajudar a descobrir qual o caminho, qual o novo que está prestes a nascer, que novo Âncora está em dores de parto.

Tal qual a antiga escola Frank Lloyd Wright, o que podemos fazer com nosso lindo espaço, com o saber adquirido nesses 25 anos e uma rede imensa de apoiadores, sonhadores, gente inquieta que quer mudar o mundo e sair da caixinha apertada em que estamos?

A partir desta terça 18 às 17h, alguns de nós estaremos de plantão no Projeto Âncora. Quer se juntar a nós? Se tens uma ideia, se quiser propor um caminho, uma oficina, algum uso do espaço, dar aulas para jovens que querem passar no vestibular, fazer um sarau, frequentar a biblioteca, jogar bola com as crianças ou qualquer outra ideia genial que tenhas, apareça. E, se não puder, sugira outra forma de participação.

Meu sonho era a Cidade Âncora (esse foi o nosso primeiro nome). “A Cidade Âncora quer ser imagem da cidade autêntica, que recebe todos como cidadãos, que participarão da sua construção e gestão. Lugar no qual os dons de cada um serão bem vindos, incentivados e colocados a serviço de toda a comunidade.” Diz o texto do projeto fundador.
Essa comunidade sonhada nunca aconteceu de fato. Talvez tenha chegado a hora. Se você se identifica com essa causa, se se sente parte e quer participar, venha se juntar aos que ainda resistem.