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Edição do dia 01/05/2014

01/05/2014 11h40 – Atualizado em 01/05/2014 11h40

Escola da Grande SP propõe ensino sem provas nem divisão por turmas

Colégio de Cotia adota método de ensino que inverte a lógica tradicional.
Aulas são em locais variados e as crianças escolhem projetos por afinidade.

Um bom exemplo de uma escola da Grande São Paulo: o colégio adotou um método que está fazendo muito sucesso com os alunos. Nesse colégio as atividades práticas são mais valorizadas do que o quadro negro e que a aula tradicional.

Uma escola de Cotia, na Grande São Paulo, adotou um método de ensino que inverte a lógica da escola tradicional. Os alunos aprendem as disciplinas executando atividades práticas. As aulas são em locais variados e as crianças escolhem projetos de acordo com a afinidade.

Lá, a lousa não é o centro das atenções. Tem criança sob a tenda do circo, a sombra de uma árvore. Todo lugar é lugar para aprender. Em uma escola que pratica a democracia, soberanos são os alunos. Cada um tem seu próprio roteiro de estudos, organiza a rotina com ajuda de um tutor. O Lohan, por exemplo, escolheu trabalhar com programação de computador. Para entender os comandos que fazem o gatinho se movimentar, ele usou além de informática, matemática e inglês.

“Você tem que calcular um pouco do tempo. Eu quero fazer um gatinho que quando eu clico ele ande e saia mudando de cor”, conta o estudante Lohan Machado de Oliveira Tezatu, de 11 anos.

A energia do Yuri Santos Correia está em um projeto de robótica. Sem perceber, ele está aprendendo sobre eletricidade e física. “A gente monta carrinhos, barcos, robôs”, diz o estudante de 9 anos.

A escola do Projeto Âncora funciona há dois anos e tem cerca de 200 alunos. Todos com renda familiar de até três salários mínimos. As crianças não são separadas por idade, não têm provas, mas a coordenadora pedagógica garante que eles são avaliados o tempo todo e têm muitas responsabilidades.

“Essa criança ela vai aprendendo a gerir o seu tempo, a gerir o seus problemas, a encontrar soluções, a participar de questões coletivas em busca das soluções que sejam melhores para um coletivo e não para o individual”, explica a coordenadora pedagógica Cláudia Duarte.

O ensino que não tem barreiras – nem de idade, nem entre disciplinas – também ultrapassa os limites da escola.

As crianças foram para um bairro que elas visitam pelo menos uma vez por semana. É o momento de botar a cabeça para funcionar. Eles usam o conhecimento para resolver problemas práticos da comunidade. As crianças conhecem os moradores pelo nome porque muitas vivem no local. Elas foram avisar sobre um mutirão de coleta de lixo.

“Se todo mundo cooperar vai ser legal”, afirma a costureira Rosilda Souza, que foi convidada a participar de um reunião por um dos alunos.

A ideia foi do Erick Silva Lima. “A gente resolveu fazer um projeto para acabar com todo o lixo do mundo”, conta.

Sonhar grande assim não faz mal nenhum para quem ainda tem muito para crescer.

Esse método de ensino é inspirado na experiência de uma escola europeia – a Escola da Ponte, de Portugal.